Outras Produções.

Kabalat Shabat - 2005

A História deste CD começa há 5765 anos, quando D'us nos deu o Shabat. Ao completar a Criação, Ele deu como presente ao ser humano o sétimo dia, o "Dia Sagrado", para descanso, meditação, alegrias, prazeres material e espiritual. Sempre que nos reunimos para o Kabalat Shabat - o início do shabat, as boas-vindas, a entrada -, a fim de cantarmos e agradecermos esse presente, recordamos melodias que viajaram por séculos através das orações e de Salmos Prescritos por nossos Eruditos, membros da Grande Assembleia, Sábios da Torá.

É sabido e testemunhado pelo mundo inteiro que, após a proposta divina a  todos os povos, a Torá foi dada, escrita e oralmente, por D'us para o povo de Israel que, apesar de todas as perseguições e dificuldades sofridas, espalhou-se pelos continentes e perpetuou-se através da História.

Os cânticos aqui reunidos têm sua origem nos ritos judaico-marroquinos, principalmente aqueles provenientes de Tanger, de ancestralidade milenar.

Podemos perceber, dentro de cada desenho musical, o "tempero" e a esperança do retorno a israel, nossa terra prometida, a vinda do Mashiac e a construção do Terceiro Beth Hamikdash.

As faixas que se seguem respeitam a seqüeência natural da Tefilá (a reza propriamente dita), porém, de forma alguma, constituem uma compilação ordinária. O arvit de Kabalat Shabat dá ordem e sentido a um ritual sagrado de recebimento, em que somos anfitriões orgulhosos desse convidado tão especial, como uma noiva chamada Shabat, cujos noivos somos nós, o povo judeu.

Durante o shabat, não é permitido que se toquem instrumento musicais devido às Leis da Torá. Este, portanto, é um registro de estúdio que reproduz a condução sefaradi-marroquina com arranjos e possibilidades musicais que não podemos tocar, em uma sinagoga, durante Shabat ou feriados judaicos (dias de Yom Tov).

Curioso notar, por um lado, como 500 anos de América do Sul passam praticamente despercebidos por esta cultura; por outro lado, muitas das melodias que compõem o cancioneiro judaico-marroquino, religioso e folclórico, tiveram como garantia de longevidade apenas a transmissão oral e remontam a tempos milenares.

Nós, da União Israelita Shel Guemilut Hassadim, desejamos a todos que desfrutem desta bela herança e que ela sirva para abreviar-nos a Galut (o exílio) e para aproximar-nos da Gueulá (a redenção com a vinda do Mashiach). Assim, esperamos, não tardará para que alcancemos, ainda em nossos dias, um mundo pleno de paz.

Sergio Benchimol

- 2009 -

Kedusha

(Chazan: Samuel Levi)

Kedusha

(Chazan: Adi Hadary)

KEDUSHA

PODE·SE COMPREENDER A KEDUSHA COMO SENDO UMA ESPÉCIE DE PROXIMIDADE, OU INTIMIDADE. RABBI MOSHE CHAIM LUZZATTO (O RAMCHAL, 1707-1746, Z"L) DEFINE A KEDUSHA COMO UM ESTADO NO QUAL A PESSOA, "AINDA QUE LEVANDO A CABO ATOS FISIOLÓGICOS NECESSÁRIOS E VITAIS Á SUSTENTAÇÃO DO PRÓPRIO CORPO", JAMAIS SE ABSTÉM DA MAIS ELEVADA INTENÇÃO DE COMUNHÃO ESPIRITUAL, SEGUNDO ELE, KEDUSHA Ê UM ESTADO MENTAL NO QUAL NÃO HÁ DISTRAÇÕES, TRATA-SE DE EXPERIÊNCIA NA QUAL O INDIVÍDUO TORNA-SE DE TAL MODO UNO COM D'US QUE QUALQUER OUTRA COISA PASSA A SER, POR DEFINIÇÃO, IRRELEVANTE. UM ESTADO DE ESPIRITO ASSIM DESCRITO POR DAVID HAMELECH: "MINHA ALMA A VOCÊ SE ELEVA".
E SE KEDUSHA EQUIVALE À INTIMIDADE, ENTÃO SEU OPOSTO, TUMAH, SIGNIFICA DISTÂNCIA E DESCONEXÃO, QUANDO CORPO E ALMA SE DIVORCIAM, AÍ TEMOS A TUMAH.
DE ACORDO COM OS SÁBIOS, TUDO AQUILO QUE POTENCIALMENTE CAUSA RUÍDO NESTA CONEXÃO - O QUE RABBI WOLBE (1914-2005) DESCREVE COMO SENDO A PERSONIFICAÇÃO DA TUMAH -  Ê "DISTÂNCIA"; SEU OPOSTO, A KEDUSHA, "PROXIMIDADE".

CRIANDO INTIMIDADE

PARADOXALMENTE, CRIAR INTIMIDADE REQUER SEPARAÇÃO. PRIMEIRAMENTE DEVEMOS REMOVER TUDO AQUILO QUE POSSA SE INTERPOR ENTRE NÓS E AQUELE A QUEM AMAMOS. NA PARASHAT KEDOSHIM (LEV!TJCO/VAYIKRÁ), D'US PROPÕE: "SEJAM MEUS SANTIFICADOS", RASHI (1040· 1105, Z"L) EXPLICA A OFERTA: "SE VOCÊS SE DISPUSEREM A SE SEPARAR (A SE DISTINGUIR) DOS OUTROS POVOS, ENTÃO SERÃO MEUS". DE MUDO SIMILAR, UM HOMEM APROXIMA-SE (COMPROMETE-SE) A UMA MULHER ATRAVÉS DO KIDDUSHIN, UM RITUAL QUE A PROÍBE PARA QUALQUER OUTRO PRETENDENTE, SEGUNDO RAMCHAL, DAMOS OS PRIMEIROS PASSOS EM DIREÇÃO A UMA KEDUSHA PESSOAL SEPARANDO-NOS DE TODAS AS INDULGÊNCIAS FÍSICAS CAPAZES DF DESVIAR-NOS A ATENÇÃO. O DENOMINADOR COMUM ENTRE ESTAS ETAPAS INICIAIS SERIA A REMOÇÃO DAS DISTRAÇÕES E A SUPRESSÃO DE INTERFERÊNCIAS. CONEXÃO E CONTATO ABSOLUTOS REQUEREM SUPERFÍCIES HERMETICAMENTE ESTERILIZADAS, ENTRETANTO, TRATA-SE DE UM PROCESSO COMPOSTO. RAMCHAL: "SEU INÍCIO É TRABALHO DURO, E SEU FINAL, RECOMPENSA. SEU INÍCIO, CUSTOSO, PENOSO, E SEU FINAL, UM PRESENTE. INICIA-SE COM O INDIVIDUO SANTIFICANDO A SI MESMO E TERMINA COM A SANTIFICAÇÃO DO SER AMADO". O FUNDAMENTAL, PORTANTO, ANTES OE QUALQUER OUTRA MEDIDA, É PREPARAR O TERRENO: AO REMOVER E ELIMINAR AS DISTRAÇÕES, CRIAMOS ESPAÇO EM NOSSAS VIDAS PARA QUE SE DÊ A VERDADEIRA INTIMIDADE PRETENDIDA. A COMUNHÃO QUE REPRESENTA A KEDUSIHA, SEJA ENTRE O HOMEM E D'US. SEJA ENTRE SERES HUMANOS OU MESMO ENTRE O CORPO E A ALMA, É UMA DÁDIVA DO ALTÍSSIMO.

ASERET YEMEI TESHUVA

NOME DADO AOS PRIMEIROS D[Z DIAS DO ANO JUDAICO, DIAS CONSIDERADOS PROPÍCIOS PARA A PRÁTICA DA TESHUVA (RETORNO, REAPROXIMAÇÃO, "ARREPENDIMENTO"). ESTE PERÍODO SE INICIA COM A FESTIVIDADE DE ROSH HASHANA E ESTENDE-SE ATÉ O YOM KIPPIJR - SEU ÁPICE - , QUANDO O DECRETO DIVINO É ENTÃO SELADO,

MAIMÔNIDES (O RAMBAM, 1135-1204, Z"L) SUBLINHA: "EM FUNÇÃO DESTA CIRCUNSTÂNCIA ESPECIAL, NESTE PERÍODO TODOS OS JUDEUS INCREMENTAM OS ATOS DE CARIDADE E AS BOAS AÇÕES, APROFUNDANDO AINDA MAIS SEU ENVOLVIMENTO COM AS MITZVOT, RELATIVAMENTE EM COMPARAÇÃO AO RESTANTE DO ANO. TODOS OS JUDEUS SE LEVANTAM À NOITE DURANTE ESTES DIAS COM A FINALIDADE DE ORAR NAS SINAGOGAS, COM PALAVRAS DE SÚPLICA E GRAÇA, ATÉ O RAIAR DO DIA", ESTAS PRÁTICAS RETRATAM, POR ASSIM DIZER, A HIRHUR TESHUVA, OU SEJA, O INÍCIO DA CONTEMPLAÇÃO, O INÍCIO DE REALIZAÇÃO DA POSSIBILIDADE CONCRETA DE AFIRMAÇÃO DO ATO DA TESHUVA, SEMPRE A NOSSO FAVOR, O ENGAJAMENTO ÀS MITZVOT TEM COMO OBJETIVO GALGAR AS DIVINAS ESCALAS DA JUSTIÇA, MAS TAMBÉM Ê UM ESTÍMULO CAPAZ DE NOS CONVENCER DE QUE VALEMOS A PENA AOS OLHOS DO CRIADOR, O INTUITO É O DE RESSALTAR A NOÇÃO DE QUE BOAS AÇÕES REALMENTE IMPORTAM PARA D'US.

Selichot

(Chazan: Rav Isaac Benzaquen)

Selichot

(Chazan: Adi Hadary)

SELICHOT

O FATO DE QUE ESTAMOS HABILITADOS A ACRESCENTAR PRECES ESPECIAIS DURANTE ESTE PERÍODO CRITICO DO ANO, COM A FINALIDADE DE INFLUENCIAR POSITIVAMENTE O JULGAMENTO DIVINO, ACABA POR TRABALHAR, NAS ENTRELINHAS, OUTRA META - AUMENTAR NOSSA AUTO· ESTIMA. O ATO DE SE RECITAR AS 5ELICHOT JÁ SERIA, PORTANTO, UMA MOTIVAÇÃO A MAIS, UM REFORÇO NESTA CONCENTRAÇÃO NECESSÁRIA PARA O HIRHUR TESHUVA, MAS NÃO O ÚNICO. O RAMBAM NOS ENSINA QUE MUITO EMBORA O SOPRO DO SHOFAR SEJA UM DECRETO DIVINO, HÁ IMPLÍCITA EM SUA EXECUÇÃO UMA MENSAGEM OCULTA. E A MENSAGEM Ê DIRIGIDA A TODOS AQUELES QUE SE ENCONTRAM ESPIRITUALMENTE ADORMECIDOS, PARA QUE DESPERTEM, PARA QUE CUIDADOSAMENTE REEXAMINEM SEU COMPORTAMENTO, REALIZEM A TESHUVA, E LEMBREM-SE DO CRIADOR. AQUELES QUE SE ESQUECEM DA VERDADE NO CURSO DE SUAS ROTINAS DIÁRIAS, DEVOTANDO TODO O SEU TEMPO A ASSUNTOS DE ORDEM MATERIAL, DE CARÁTER ABSOLUTAMENTE EFÊMERO, DEVEM PROCURAR APRIMORAR A QUALIDADE DE SEUS ATOS E PENSAMENTOS,

TOQUE DE DESPERTAR

MUITAS COMUNIDADES SEFARAD TÊM O HÁBITO DE PRATICAR O SOPRO DO SHOFAR DURANTE AS SELICHOT, E ESTE COSTUME ESTÁ EM PERFEITA CONCORDÂNCIA COM O QUE PENSA MAIMÔNIDES. ELE INCLUSIVE REGISTRA ESTA PRÁTICA NA MESMA HALACHA ONDE DISCORRE SOBRE COMO O TOQUE DO SHOFAR FAZ AS VEZES DE 'TOQUE DE DESPERTAR ESPIRITUAL', NO DECORRER DA TESHUVA, NÃO É OUTRA A RAZÃO PELA QUAL OS SEFARADIM INICIAM AS SELICHOT, TODOS OS DIAS, COM O SEGUINTE PENSAMENTO: "FILHO DO HOMEM, POR QUE VOCÊ DORME? DESPERTE E INVOQUE A D'US EM SÚPLICAS". O TOQUE DO SHOFAR, PORTANTO, A RECITAÇÃO DAS SELICHOT, E A INCORPORAÇÃO DE MAIS MITZVOT À ROTINA, TUDO ISTO SERVE PARA INCITAR O HIRHUR DURANTE OS ASERET YEMEI TESHUVA. O YOM KIPPUR, POR SUA VEZ, VEM A SER A COROAÇÃO DE TODAS ESTAS AÇÕES E PENSAMENTOS, A INTENSIDADE ESPIRITUAL EXPERIMENTADA NESTES DEZ DIAS TRANSFORMA NOSSAS PERSONALIDADES E AFETA-NOS DURANTE TODA A DURAÇÃO DO ANO PRESTES A INICIAR. DEVE·SE EMERGIR DOS YAMIM NORAIM (DIAS DE REVERÊNCIA OU DIAS DE PENITÊNCIA) MELHORES DO QUE FOMOS ANTERIORMENTE.

EXTRAÍDO DE http://www.simpletoremember.com E http://www.koltorah.org

Nigun Música da Alma - 2005

NIGUNIM

MÚSICA DA ALMA

O Nigun (no plural, Nigunim) é uma melodia judaica ou um canto.

Ele traduz, através da melodia, o que a alma não pode mais expressar com as palavras. A melodia ocupa um lugar especial na tradição judaica, frequentemente, a melodia judaca é denominada, na lingua sagrada, de Nigun e é considerada como a "pena" da alma (o vocábulo "pena" aqui significa objeto usado para escrever).

Com uma rara precisão, o Nigun descreve os sentimentos que animam a alma, a felicidade ou a amargura, o atrativo do espiritual ou a rejeição dos prazeres materiais, o sentido do dever cumprido ou do arrependimento.

É por esse motivo que a pessoa, na sua procura pelo divino, recorre sempre ao Nigun.

A MÚSICA JUDAICA

A música tradicional judaica, sob forma de Nigun, é uma linguagem que expressa os mais diversos humores e estados de espírito da pessoa em relação à essência de sua vida. Esse tipo de música traduz a sua atitude perante a existência e a leva a questionar-se sobre seu rumo de vida.

O CANTO POR TODOS

Os Nigunim expressam, com uma incrível exatidão, todos os tipos de sentimentos que uma pessoa, qualquer que seja, venha a ter.

Os Nigunim revelam as mais sensíveis variações e nuanças das emoções que a alma divina pode sentir em relação ao mundo físico material.

Mas também o Nigun acompanha as etapas e todos os estados da pessoa no seu percurso espiritual.

Cúmplice ideal daqueles que procuram o divino, a melodia reconfortante do Nigun está sempre presente para fortalecer e ajudar as pessoas na elevação espiritual.

Quando o Homem tiver o desejo ardente de subir as mais profundas esferas de sua alma, ele poderá subir os graus da melodia que o conduzirão rumo à essência do seu ser onde ele poderá beber um néctar de altíssima pureza, que nunca ninguém maculou.

CORPO, ALMA

Essa música traduz, com clareza, a ligação autêntica da pessoa com D'us, seus sentimentos e suas emoções profundas em relação ao cumprimento da vontade de D'us, as mais diversas nuanças do temor e do amor por ele e a expressão do que é a vida em todos os seus sentidos.

Descida ou caída espiritual e depois elevação... sede intensa de D'us, sede da alma arrependida, como se ela fosse no deserto querendo desalterar-se em D'us, expressão da alma divina - parte de D'us, de origem infinita, presa no corpo finito.

Mas também alegria de vivenciar o divino no mundo físico, limitado. Angustia da pessoa e seus conflitos internos entre sua alma divina e sua alma animal. Procura do divino, hesitação, fervor, concentração, união, sofrimento físico ou espiritual, desejo de cumprir com amor e com temor a vontade de D'us.

Aspiração intensa pelo divino, exaltação, retorno, arrependimento e, depois, elevação espiritual. Repulsão das coisas proibidas e impuras, medo de transgredir a vontade divina e de ser separado de D'us. Fervor, devoção, interrogações, contemplação, meditação, entendimento, submissão a D'us. Fé. Pureza. Inquietações constantes sobre seu estado espiritual.

Sofrimento ou extrema felicidade da alma dentro do corpo ao cumprir neste mundo a vontade de D'us. Desejo de elevar-se além da matéria do mundo, desejo de alcançar a divindade.

Êxtase em D'us...

Enfim, os Nigunim denotam todos os sentimentos mais complexos e todas as atitudes mais diversas que existem e que as palavras não podem, no enta, traduzir. Só para ter-se iéia dessa diversidade foram divulgados até hoje mais de quinhentos e sessenta Nigunim!

Qualquer pessoa, a menos que seja preconceituosa, pode identificar-se e reconhecer-se dentro de tal ou qual Nigun, justamente porque esse tipo de expressão musical vem das profundezas da alma que se origina em D'us - Um único.

Nesse sentido, a origem do Nigun é extremamente profunda, elevada e sagrada.

O CANTO DA ALMA

O Nigun, porém, não traduz somente emoções, quão variadas possam ser. Possui o poder de vitalizar e influenciar positivamente a vida da pessoa que o canta e a da que o ouve. Tem também o poder de despertar uma pessoa no profundo de sua existência; pode esclarecer-lhe a vida , abrir-lhe as portas do entendimento e afiar-lhe a percepção do divino.

O Nigun destranca ainda as portas do coração .

Ele não deixa ninguém indiferente, porque se origina no encadeamento dos mundos espirituais da criação divina original, que só os Tzadikin ( justos-santos, inteiramente dedicados ao serviço de  D'us) ou pessoas extremamente elevadas e requintadas espiritualmente que souberam traduzir sob forma puramente musical.

O Nigun é sagrado.

SUBIR COM AS LETRAS DAS MÚSICAS

Se a fala se origina no cérebro e permite revelação, por parte - e não inteiramente - do pensamento e do sentimento, em compensação, o canto revela integralmente o prazer e a vontade, que são faculdades que transcendem o intelecto e os sentimentos e que se originam na essência da alma.

As letras da música vão permitir uma elevação que a fala não pode realizar, porque esta não traduz integralmente o pensamento. As letras da música são as que elevamo homem a um nível superior.

No momento da melodia o homem é mergulhado nas profundezas mais secretas de sua alma, que deixa do lado seu ser revelado para ligar-se à sua essência.

São as letras da música que vão permitir essa "viagem" e revelar, dentro do homem, todo o bem profundo e escondido, puro, límpido... por essa razão que as letras da música permitem a ascensão rumo às alturas da alma.

O CANTO DESPERTADOR

O Nigun não é uma música comum que acompanha o ouvinte nas suas atividades cotidianas ou nas diferentes fases de sua vida. O Nigun vem da alma que se origina em D'us e se comunica com a alma presa no corpo físico. Se existem músicas fascinantes ou ritmos frenéticos que fazem vibrar irresistivelmente o corpo inteiro da pessoa, em compensação o Nigun mexe com a essência da alma de qualquer pessoa. Em outros termos o campo de ação do Nigun está centrado na alma. Por isso o Nigun reconforta a pessoa e pode despertar-lhe a consciência. A origem do Nigun é tão elevada que ele desperta e revela a identidade essencial da pessoa, ou seja, fala-lhe literalmente. O Nigun se introduz no íntimo da pessoa e a faz reagir, transformar-se, ou mudar de vida. Várias são as pessoas que ao ouvir ou interpretar um Nigun durante um casamento ou uma festa solene do calendário judaico, tomaram decisões ou atitudes novas para melhorarem suas vidas em relação ao seu estado espiritual. Muitas outras mudaram completamente de vida ao ouvir tal ou qual Nigun por acaso.

O CANTO DO TRIÂNGULO AMOROSO

O Nigun limpa, lava e eleva espiritualmente a pessoa, transcende o corpo e vai além das diferenças físico-materiais e das divisões corporais porque sua origem é divina. O Nigun alivia a pessoa do peso do seu corpo. Essa elevação espiritual transporta a pessoa até sua raiz - a raiz de sua alma, isto é D'us - D'us Um único, raiz e pai de todas as almas... isso que reconforta e que dá prazer à pessoa que canta ou a que ouve um Nigun... O que faz com quê o Nigun aproxime as pessoas mais diversas e as una em um amor verdadeiro e construtivo, o Nigun ajuda na construção do triângulo amoroso sem o qual nenhuma pessoa poderia ter uma vida espiritual autêntica. Os três integrantes desse triângulo são: o amor gratuito entre pessoas, o amor por D'us e o amor pela Torá. O Nigun encoraja a compor ou recompor o trio desse amor puro e radiante.

SIMPLESMENTE O AMOR

o há necessidade de ser cantor ou cantora para interpretar um Nigun. Por tratar-se da fiel expressão da alma o Nigun revela a essência da pessoa e dispensa sofisticação ou proeza líricas.

A beleza do Nigun está justamente na sua simplicidade, no seu natural. Espontaneidade é o tom justo para traduzir a mais profunda identidade judaica. O que se faz preciso para cantar um Nigun é o desejo irresistível de expressar, sozinho ou com outros, o amor ao próximo, a D'us e a Torá.

O Admur Hazaken, o velho rabi, nascido na cidade de Liozna, na Rússia, em 1745, o rabi Shneor, Zalman de Liadi, chamado de "Admur Hazaken", era o rabi, o líder espiritual de sua geração e teve dezenas de milhares de discípulos. Ele divulgou o ensinamento sagrado do BaalShem Tov e expressou de maneira racional para que qualquer pessoa pudesse ter acesso à parte profunda e secreta da Torá. Seu sistema filosófico está registrado no Tanya.

Publicato pela primeira vez em 1797, o Tanya foi, a partir desta data, reeditado milhares de vezes, o que faz com que seja o livro sagrado mais difundido no mundo atualmente. Ele deixou este mundo aos 67 anos, em 1812, e descansa na cidade de Haditz, perto da região de Poltava, na Rússia. estas melodias são da autoria deste santo homem.

Sefer Hanigunim 2 - 2007

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